Um mês de Yellow: os pontos positivos e negativos do serviço de bikes compartilhadas que invadiu São Paulo

Depois de mais de 30 dias, duas mil bikes em circulação e 100 mil viagens realizadas a Yellow comemora o sucesso da implementação do serviço de bicicletas compartilhadas em São Paulo e, ao mesmo tempo, já vislumbra novas possibilidades de recursos aos usuários e a expansão dos negócios para a América Latina.

Apesar dos casos de roubo e vandalismo registrados ao longo desse primeiro mês de operação, o desempenho da Yellow não foi afetado – muito pelo contrário! Com a repercussão positiva dos usuários (70% deles tornam-se clientes frequentes após usar as bikes pela primeira vez, segundo a startup), a ideia é que as amarelinhas invadam ainda mais regiões da grande São Paulo (como Osasco, Guarulhos e ABC Paulista) e, posteriormente, alcancem outros estados brasileiros. A meta é que, até o final de 2019, mais de 100 mil bicicletas estejam à disposição dos cidadãos.

No entanto, antes de dar saltos mais altos, o serviço precisa estar consolidado no Brasil, o que significa que seus criadores, Eduardo Musa, Ariel Lambrecht e Renato Freitas, ainda têm que suar bastante a camisa. O antigo CEO da Caloi e os fundadores da 99, respectivamente, foram os pioneiros a trazer para cá a plataforma de compartilhamento de bikes dockless – ou seja, sem uma estação fixa para retirada e devolução das magrelas – e, por isso, estão aprendendo a lidar com os inevitáveis impasses que esse tipo de novidade traz consigo.

Para ajudar nessa missão e contribuir com a construção de um trânsito mais eficiente de novidades como essa, que tornam a mobilidade mais dinâmica e segura, a equipe do On Mobih testou as bicicletas e listou os pontos positivos e os negativos delas até o momento. Selecionamos o que deu certo e o que precisa ser melhorado no serviço da Yellow. Dá só uma olhada:

Show de bola!

Comodidade
Sabemos que já não é mais novidade a ausência das estações, mas não podemos deixar de registrar que essa sacada realmente faz toda a diferença no ganho de tempo e na liberdade que os usuários têm para, simplesmente, deixarem a bicicleta em qualquer lugar. No caso da Bike Sampa, iniciativa do Banco Itaú e principal concorrente da Yellow, a pessoa pode ter uma estação pertinho de casa, mas e na hora que chegar em seu destino? É preciso procurar a estação mais próxima – e ela não pode estar cheia, já que é necessária uma vaga para deixar a bike. Quem tem tempo para isso, não é mesmo?

Projetos a mil!
Uma das metas da Yellow para os próximos meses é criar pontos de referências nas proximidades de estações de metrôs, restaurantes e lugares de grande circulação, para que os usuários deixem as bikes por ali, facilitando, assim, a localização e o compartilhamento para a próxima pessoa que quiser pedalar. E não para por aí: a Yellow pretende colocar, em breve, patinetes elétricos à disposição dos paulistas, além de completar o total de 20 mil bicicletas só na capital paulista até outubro desse ano. Demais!

Sistema 100% digital
O cadeado das Yellows é fixo e só pode ser travado e destravado pelo sistema QR Code, ou seja, não é preciso nenhuma chave ou qualquer tipo de objeto para ter acesso e/ou bloquear sua utilização.

Bola fora!

Localização
Apesar de o aplicativo garantir o mapeamento e a localização das bikes mais próximas do usuário, por meio do chip rastreador inserido em cada uma delas, não é sempre que o app acerta, de fato, em mostrar as amarelinhas disponíveis. Isso ocorre porque o sistema não é atualizado instantaneamente, logo, uma Yellow que foi deixada em uma calçada, por exemplo, demora para aparecer disponível a um usuário próximo a ela, que esteja em busca de uma bike. Nesse mesmo contexto, a equipe On Mobih também identificou, no aplicativo, bicicletas que supostamente estariam em determinado lugar e, ao procurá-las, as encontramos distantes do local indicado.

Forma de pagamento
Diferentemente da Bike Sampa, a Yellow disponibiliza apenas créditos que vão de R$5 a R$40, não oferecendo ao usuário a possibilidade de obter pacotes diários, mensais e até anuais. Além disso, atualmente, só é possível comprar esses créditos com cartão de crédito, o que limita o acesso às bikes. Vale lembrar que uma das condições para que a empresa, que é credenciada pela Prefeitura de São Paulo, continue operando na capital, é a adoção do pagamento com Bilhete Único, também já disponibilizado pelas concorrentes. A previsão é que em breve o cartão de débito também seja incluído nas formas de pagamento.

Disponibilidade
Em bairros como Pinheiros, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Morumbi, além das redondezas da Faria Lima e Avenida Paulista, é bastante comum ver as bikes da Yellow encostadas aqui e ali. No entanto, nas regiões mais afastadas e em bairros periféricos, as amarelinhas são vistas com menor frequência. É fato que uma pessoa pode sair de Perdizes, por exemplo, e pedalar até o Tatuapé, na Zona Leste. Mas a disponibilidade das bicicletas nas áreas não consideradas “financeiras” é, realmente, muito menor. É preciso que a Yellow aumente a frota dos veículos oferecidos, incentivando, assim, que um maior número de pessoas tenha acesso a eles.

Tem que ver isso aí… (tópico dividido entre prós e contras)

Estrutura
As Yellows têm especificações que agradam e desagradam quem está acostumado a pedalar. Os pneus são maciços e, por isso, não furam. Ponto positivo! O bagageiro à frente do guidão é fixo, ou seja, não se mexe durante uma curva, o que não compromete a manobrabilidade da bike. Outra bola dentro! Por outro lado, as bicicletas não têm marcha, dificultando, assim, seu uso em ruas e bairros com subidas e aclives, exigindo mais esforço e condicionamento do ciclista. A empresa alega que a ausência de marchas faz parte da estratégia de baixo investimento nas peças e nos recursos das bikes, para diminuir as chances de roubos e desmanches das mesmas. Ainda nesse contexto, vale lembrar que elas são feitas com peças simples e únicas, que não servem para outros modelos e, por isso, não podem ser reaproveitadas.

Dinâmica de preço
Com a Bike Sampa, 60 minutos de pedalada totaliza R$2. Com a Yellow, a cada 15 minutos paga-se R$1. O que fica evidente, aqui, é que a dinâmica de preço das amarelinhas é baseada em viagens curtas, de 1km a 3km, no máximo. Afinal, se a ideia for pedalar durante horas, a Bike Sampa acaba saindo mais barato. Agora, se for para se deslocar entre trechos curtos, a Yellow é a melhor opção.

O On Mobih acredita que todo serviço disruptivo, no início, tende a causar questionamentos e até certa estranheza e desdém por parte da população. Quem se lembra da Uber, que assim que foi lançada, trouxe à tona diversas questões, entre elas a falta de confiança em entrar no carro de um desconhecido, por exemplo? Atualmente, São Paulo é a cidade que mais dá lucro à empresa em todo o mundo.

Por isso, apesar dos pontos que ainda precisam ser melhorados, vamos dar tempo ao tempo e acreditar na proposta da Yellow, que é propor alternativas acessíveis e inteligentes para melhorar a mobilidade e o ir e vir das pessoas e, é claro, estimular o uso de bicicletas como meio de transporte. Esse já é o principal ponto positivo da empresa, e o On Mobih apoia demais esse tipo de iniciativa!

Obs.: não dá bobeira com o celular na mão quando estiver destravando a sua amarelinha, hein?
Foto: divulgação

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