Precisamos falar sobre pedestres, celulares e distrações no trânsito

Bastam 10 minutos observando o trânsito em qualquer ponto movimentado da cidade que você certamente irá flagrar pessoas caminhando de um lado para o outro totalmente imersas em seus smartphones – seja ouvindo música, conversando no WhatsApp ou fazendo uma selfie para o Instagram.

Cenas como essas têm se tornado cada vez mais frequentes nos últimos anos. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que simulou algumas distrações de condutores, mostrou que o risco de um acidente aumenta em até 400% quando se está utilizando o aparelho. Mas, aqui, vamos nos concentrar nos pedestres, que estão entre as principais vítimas da violência no trânsito do país.

Usar o celular ao caminhar afeta a nossa capacidade de perceber as situações de risco no trânsito, como por exemplo um sinal vermelho no semáforo de pedestres, ou uma via de mão dupla que, por distração, acreditamos ser de mão única. E essa falta de atenção aumenta exponencialmente a chance de um atropelamento ou até mesmo de outros acidentes, como trombar em um poste, cair em um buraco, tropeçar por não ver um degrau… Aliás, essa possibilidade é enorme, se considerarmos a péssima qualidade das calçadas.

O interessante é que, quando somos crianças, essas são as primeiras lições que nossos pais nos ensinam: “olhe para os dois lados da rua! Só atravesse quando o sinal estiver fechado para os veículos – e sempre na faixa de pedestres.” Eles são sábios, embora muitas vezes, na prática, acabam agindo bem diferente daquilo que nos ensinaram. É o famoso ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” E são exatamente essas as principais distrações que levam a tantos atropelamentos de pedestres.

Mas existem, sim, diversas formas de se minimizar tais efeitos negativos do avanço tecnológico: com investimento em novas tecnologias! Isso porque, em países da Europa como Alemanha e Holanda, já existe uma sinalização luminosa no piso das vias, para alertar os pedestres quando o sinal está fechado, por exemplo. É como se diz: “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, não é mesmo? Em outros lugares, existe ainda a sinalização sonora que, na maioria das vezes, é utilizada para auxiliar deficientes visuais, uma vez que indicam quando o sinal está aberto ou fechado. Essa também é uma forma de alertar os pedestres para a condição do semáforo e, assim, chamar a atenção deles.

Agora, cá entre nós: as vias também precisam ser bem sinalizadas e projetadas para proteger os mais vulneráveis, nesse caso, os pedestres. Isso é responsabilidade dos órgãos gestores de trânsito! E, infelizmente, aqui no Brasil, existem muitos lugares em que as faixas estão mal pintadas, ruas nas quais não há sinalização, passarelas mal projetadas… E aí, ainda que esteja atento, o pedestre acaba se colocando em risco ao atravessar em passagens extremamente perigosas.

Por fim, campanhas educativas direcionadas a este público também precisam ser incentivadas. Um motorista aprende as regras de segurança em uma autoescola, mas e o pedestre? Como e quando aprende a se manter vivo no trânsito?

Penso que, de modo geral, a sociedade se tornou mais crítica em relação à exigência dos seus direitos, mas, individualmente, devemos fazer uma análise: nossos hábitos diários de segurança e prevenção estão realmente nos mantendo seguros no trânsito?

Texto: Roberta Torres

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