Precisamos falar sobre mobilidade corporativa

Você sabia que o país perde, todos os anos, mais de R$ 267 bilhões por conta dos congestionamentos causados no caminho das pessoas para o trabalho?

Costuma-se dizer que tempo é dinheiro. E se falarmos de mobilidade corporativa, essa máxima é, de fato, verdadeira. Afinal, mais de nove milhões de brasileiros demoram mais de uma hora para chegar ao trabalho todos os dias – tempo que equivale a uma perda anual de 4% de todo o Produto Interno Bruto (PIB), causada justamente pelo congestionamento no caminho das pessoas para os seus ambientes profissionais.

Os dados são da Quanta Consultoria, uma das empresas responsáveis por elaborar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e que, após analisar as 10 principais regiões metropolitanas do Brasil, chegou à conclusão de que o país perde, todos os anos, mais de R$ 267 bilhões por conta do ir e vir diário de milhares de profissionais.

Tal cenário mostra que as empresas têm um papel fundamental e bastante relevante no que diz respeito à mobilidade das cidades. O poder público tem, sim, a responsabilidade de elaborar planos que melhorem as condições de transporte público e resolvam, ainda que parcialmente, algumas questões que envolvem o trânsito das metrópoles.

Por outro lado, as empresas também devem, paralelamente, desenvolver um olhar mais humano acerca de soluções que impactem positivamente a rotina das pessoas que emprega e, consequentemente, influenciem no atual panorama do trânsito.

A realidade, no entanto, não é animadora. Uma pesquisa feita pelo Instituto PARAR, em parceria com a MindMiners, mostrou que 60% das companhias não demonstra preocupação alguma com o deslocamento de seus funcionários. Além disso, apenas 5% disponibilizam crédito em mensal em aplicativos de mobilidade e somente 3% oferecem a possibilidade de utilizar espaços de coworking. Quando se trata de home office, a porcentagem também assusta: 77% das empresas não permite que os funcionários trabalhem remotamente.

As consequências dessa omissão são graves e podem ser sentidas em diferentes âmbitos: no caos do trânsito, na superlotação dos transportes públicos, nos rombos causados nos cofres públicos e, é claro, nos resultados das próprias empresas, que precisam urgentemente mudar sua cultura para manter os colaboradores engajados e produtivos, já que a jornada diária “casa-trabalho, trabalho-casa” compromete o desempenho, o raciocínio, a motivação e a produtividade dos funcionários.

Horários mais flexíveis, possibilidade de home office, incentivo a programas de carona e uso de bicicletas entre os colaboradores, além de convênios com fretados e aplicativos de mobilidade são algumas das opções para as companhias darem o primeiro passo em direção a um futuro mais móvel, prático e conectado.

O Instituto Mobih, engajado com uma mobilidade humana mais inteligente e segura, realizou, recentemente, uma pesquisa interna com os colaboradores do Grupo Tecnowise, seu mantenedor. Nela, o carro aparece como principal meio de transporte usado para ir ao trabalho, com 44% das respostas. Em contrapartida, 36% dos respondentes levam de 1 a 2 horas para chegar ao trabalho e quase 67% deles nunca deram carona a algum colega.

Levando esses dados em consideração, o Mobih iniciará, em 2019, um programa de incentivo a caronas compartilhadas entre os colaboradores do Grupo. Esse é um exemplo a ser seguido por demais empresas, já que somente com uma visão mais aberta a mudanças desse tipo é que será possível vislumbrar um horizonte no qual as pessoas não percam tempo de suas vidas presas em congestionamentos que sugam, dia a dia, suas motivações profissionais e pessoais.

Afinal, que o mundo está mudando cada vez mais rápido não é novidade pra ninguém. E tais mudanças trazem consigo questões que, por sua vez, também devem sofrer alterações e, sobretudo, uma alternância de perspectiva. Mobilidade corporativa é uma delas. Daí a importância de falarmos sobre isso, dentro e fora das empresas.

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