As mulheres agora podem dirigir na Arábia Saudita – e o mundo todo ganha com isso

Foi notícia no Brasil e no mundo o anúncio do governo da Arábia Saudita, que a partir do dia 24 de junho, passou a permitir que as mulheres do país dirijam carros.

Uma campanha por esse direito começou em maio de 2011, quando Manal al Sharif, uma mulher de 32 anos, foi detida porque estava dirigindo e publicou um vídeo no YouTube. No material, Sharif incentivava outras mulheres a seguir o seu exemplo. Depois da sua prisão, cerca de 40 ativistas organizaram um protesto, conduzindo carros por todo o país, e divulgaram por meio das redes sociais – em uma tentativa de chamar a atenção de Hillary Clinton, Secretária de Estado dos EUA na época.

Para nós, brasileiras, ter uma Carteira de Habilitação é normal, faz parte do nosso cotidiano. Dirigir é algo como ir ao trabalho, à faculdade ou, simplesmente, “dar um rolê” de carro. Para mim, que sou habilitada desde os 18 anos, dirigir sempre foi sinônimo de liberdade e prazer. Lembro que quando li a matéria falando sobre a proibição e a detenção de Sharif, em meados de 2011, fiquei perplexa e muito envolvida. Tanto que acompanhei ao longo desses anos o andar da carruagem e, hoje, estou especialmente feliz.

A justificativa das autoridades para proibir as mulheres de dirigir era a de que elas estariam mais sujeitas ao assédio, além de alegações preconceituosas de que não eram inteligentes o bastante para conduzirem um carro.

Essa decisão, embora tão distante de nós, acompanha um momento que vivemos aqui mesmo, no Brasil, quando homens assediam uma mulher deixando-a em situação de total constrangimento, em plena Copa do Mundo (sem falar nos caras que tentam beijar as repórteres enquanto elas estão trabalhando). Tudo isso nos faz refletir o quanto ainda temos que avançar, no mundo todo. O quanto ainda precisamos amadurecer, o quanto ainda necessitamos de respeito e, é claro, como precisamos comemorar notícias como essa da Arábia Saudita.

Nós, mulheres somos igualmente valiosas. Igualmente profissionais, motoristas, gestoras, policiais… Salvamos vidas, contribuímos para um mundo melhor e, sem sombra de dúvidas, merecemos reconhecimento e o direito à liberdade, seja para dirigir ou sermos nós mesmas.

Texto: Roberta Torres

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