Saiba como evitar que alguém que você ama sofra um acidente de trânsito

Você já leu alguma manchete parecida com o título desse artigo? Infelizmente, acho que não. Por outro lado, também não deve ter lido na capa do jornal ou na home de um portal chamadas como “Pai de três crianças mata sua família inteira ao ser imprudente no trânsito”, “Mulher de 20 anos mata uma grávida de sete meses ao perder o controle do veículo enquanto tentava gravar uma live e dirigir” ou “Cinco jovens entre 18 e 20 anos se matam ao sair dirigindo de um happy hour com colegas de trabalho”.

Cerca de 47 mil pessoas são mortas a cada ano no Brasil. São mais de 130 todos os dias. Outras 400 mil ficam com sequelas. Sim, pessoas estão causando mortes e desfazendo sonhos, destruindo futuros, gerando órfãos, desestruturando famílias e causando sequelas inimagináveis. Você sabia que 90% das fatalidades no trânsito são evitáveis, por estarem diretamente ligadas ao comportamento humano? Imprudência e imperícia são evitáveis! Não são acidentes. A direção irresponsável nos coloca – e nos mantém – em 5º lugar na lista de países mais violentos no trânsito.

Sempre me pergunto por que temas como acidentes aéreos, guerras e atiradores em colégios chocam mais e causam mais comoção do que as mortes no trânsito, que representam centenas de vezes mais mortes de pessoas.

E respondo: porque nos casos citados acima, o fator humano está explícito e permeia toda a informação. Quando as notícias são sobre os números do trânsito, falam de dados e índices, mas não trazem protagonismo para o ser humano, tampouco os responsabilizam pelo dano causado. Não é por acaso que o tema que damos destaque no @Maio Amarelo desse ano é #NósSomosoTrânsito. Quando olhamos para um ambiente de trânsito, vemos máquinas se movendo, não enxergamos as pessoas, não reconhecemos olhares, gestos, histórias, sonhos e sorrisos.

Feche os olhos e pense em uma tragédia envolvendo um assassinato em massa em uma sala de cinema ou uma escola. Você logo imaginará pessoas, casais, pais com filhos, crianças estudando, educadores ensinando. Pensar nessa cena e imaginar a dor da perda dessas pessoas machuca, comove. Faça o mesmo imaginando a queda de um avião. Possivelmente, você pensará em centenas de pessoas enfileiradas, rumo a uma viagem a passeio, indo visitar um familiar, encontrar alguém que ama ou viajando para uma apresentação profissional. Ao pensar nessa cena, lamentamos profundamente por saber que aqueles projetos foram impedidos ali, por pensarmos nas pessoas que os aguardavam no destino e na dor de todos.

Agora, imagine um acidente de trânsito. Provavelmente, você visualizou veículos amassados, capotados, entre tantas outras imagens relacionadas a maquinas ou coisas. Pensou nos sonhos roubados, na mãe que espera o filho para o jantar, na noiva deixada no altar, no primeiro dia de emprego pelo qual ele sonhava a vida toda e nem chegou a iniciar? Talvez, mas em proporções bem menores.

Sou profissional de marketing, atuo no setor de educação para o trânsito há mais de 17 anos e demorei muito para entender o quanto errei em minha missão de colaborar com a transformação dessa realidade cruel que assistimos em nosso trânsito. Ainda bem que sempre temos novas oportunidades de aprender e que a experiência nos capacita a fazer mais e melhor.

Por meio do meu trabalho no @Grupo Tecnowise, encontrei mais uma chance com a fundação do @Instituto Mobih o qual ajudei a construir, a começar pelo nome, Mobilidade HUMANA Inteligente e Segura, um propósito que coloca o ser humano no centro da discussão e um termo do qual nos apropriamos e difundimos como propulsor do protagonismo individual e de sua responsabilidade como causador da morte de milhares de pessoas.

Por meio do Instituto e suas conexões, realizaremos um trabalho profundo para promoção de dados consistentes sobre pessoas. O +Mobih, plataforma de engajamento para pessoas que se preocupam com pessoas e querem ajudar pessoas a se moverem de forma segura, é nosso primeiro canal para escutar você, que se move todos os dias. Queremos saber o que você pensa sobre as campanhas de trânsito que não promovem mudança no comportamento. Acreditamos que a união de pessoas que atuam no poder público, privado, organizações sem fins lucrativos, comunidades e da sociedade civil por um objetivo comum e bem direcionado é o caminho mais seguro para encontrarmos essa resposta.

Precisamos deixar de fazer mais do mesmo. Devemos nos empenhar em criar a trajetória da mente de uma pessoa como condutor de um veículo ou como um ator na mobilidade urbana e descobrir a chave que abrirá os sentidos necessários para que façamos não apenas campanhas, mas para que mudemos comportamentos, eduquemos com efetividade e formemos motoristas protagonistas da mobilidade. E dessa vez, não mais urbana, mas, sim, humana!

Venha para essa missão!

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