A realidade virtual imita a vida e comprova: os motoristas estão cada vez mais desatentos e desobedientes

De janeiro a setembro de 2018, o descumprimento às leis de trânsito foi a segunda maior causa de acidentes. A primeira? Falta de atenção

Em 2018, 515 pessoas morrerem nas estradas brasileiras, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal. A desatenção é a maior causa desses acidentes, seguida do desrespeito às leis de trânsito. Entre as infrações, o excesso de velocidade está entre as principais, além de ultrapassagem pela faixa contínua, falta de indicação com seta, uso de celular ao volante e até fumar enquanto dirige, que também é proibido.

Essas e outras atitudes consideradas inofensivas – como transitar com o veículo em cima da faixa e do acostamento do mesmo tempo – colocam, sim, muitas vidas em risco, além de aumentarem as chances de acidentes: nove em cada 10 deles são causados pelo fator humano. Isto é, 90% dos acidentes são provocados por algum dos envolvidos.

Dados do Infosiga corroboram tais afirmações, indicando que, de janeiro a agosto de 2018, foram registradas mais de 7,7 mil colisões (acidentes com outros veículos) e 2,7 mil choques (batidas em carros ou objetos fixos na via, como poste ou árvore). Muitos desses acidentes poderiam ser evitados se não houvessem distrações e/ou desobediência.

Tais números mostram, entre outros problemas, que estamos falhando na educação desses motoristas. O método de formação de condutores, bem como sua manutenção, deve focar na prevenção e na percepção de riscos, para que a conscientização aumente e, assim, os acidentes diminuam.

Nesse cenário, os simuladores de direção veicular são ferramentas de extrema importância, uma vez que simulam situações adversas e de risco para que o motorista treine, em ambiente seguro e controlado, a reagir da melhor forma possível. Além disso, esses equipamentos também podem ser grandes aliados no que diz respeito à reciclagem de condutores, pois evidenciam vícios e erros cometidos por quem pensa, erroneamente, que já sabe dirigir muito bem.

Durante a Semana Nacional do Trânsito, em setembro, o Instituto Mobih colocou isso à prova em um teste realizado com alguns voluntários. O resultado mostrou que tanto homens como mulheres erram nas mesmas infrações cometidas pelos “motoristas da vida real”: não dão seta (16%), saem da estrada (16%), dirigem na contramão (14%) e, por fim, colidem (13%). Ou seja: 59% dos casos tem alguma associação ao fator distração.

O bom de passar pela experiência no simulador é que, durante a viagem virtual, o equipamento avisa o motorista se ele se esqueceu de dar seta ou de ligar os faróis na estrada. “A pessoa passa a entender, é colocada frente a frente com o perigo. E, a partir daí, sabe como se comportar. Essa é uma grande vantagem da parte da educação”, diz Sheila Vivian, especialista em simulador de direção e diretora de produtos da ProSimulador.

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