Economia compartilhada revela como ainda precisamos evoluir individualmente

20 mil bicicletas para uso compartilhado em São Paulo a partir de julho e mais 100 mil em diversas cidades em todo o Brasil daqui a dois anos. É o que promete a Yellow, startup criada por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, os criadores da 99.

A dupla pegou carona na onda da Economia Compartilhada, que torna possível a partilha de recursos, serviços e produtos, e investiu cerca de US$ 60 milhões em um aplicativo de compartilhamento de bicicletas. Seu funcionamento é simples: basta verificar, por meio do app, se há bikes disponíveis para uso nas imediações e, caso haja, ir a uma delas e destravá-la fotografando um QR Code.

Além de acessível (menos de R$ 4), o diferencial do serviço é a praticidade: não é preciso retirar as bicicletas em uma estação determinada, muito menos devolvê-las em um ponto específico. Elas podem ser achadas e deixadas em qualquer lugar da cidade, contanto que sejam bloqueadas após o uso, também via app.

A ideia é ousada, mas se mostrou totalmente possível em lugares como a China e os EUA, por exemplo, que vêm usando outros meios de transporte com esse conceito compartilhado – como é o caso dos patinetes. No entanto, apesar de servir para facilitar a vida das pessoas, a tendência tem trazido alguns problemas justamente no quesito a que se propõe a resolver: mobilidade.

Em São Francisco, o Departamento de Obras Públicas da cidade apreendeu dezenas de scooters (patinetes motorizados) que estavam obstruindo a passagem de pedestres nas calçadas e bloqueando trechos das ruas, pois haviam sido “largados” pelas pessoas que os utilizaram. As empresas responsáveis pelos equipamentos estão sendo multadas e prometeram buscar soluções para resolver o problema, que anda incomodando boa parte dos cidadãos (principalmente os idosos e as pessoas com mobilidade reduzida), que exigem regulamentação do serviço e medidas mais rígidas por parte da prefeitura para a implementação do mesmo.

Fica evidente, nesse caso, que o principal impasse está no fator humano. As pessoas querem um meio de transporte ágil e barato, mas talvez ainda não estejam preparadas para fazer um bom uso dele. Em outras palavras, querem, sim, fazer uso de uma Economia Compartilhada, mas não se mostram dispostas a, de fato, dividir de maneira consciente e empática o espaço público com os demais agentes que formam a mobilidade urbana.

Essa problemática traz à tona diferentes questões sobre os motivos e as consequências que envolvem o mind-set coletivo em relação ao “ir e vir”. E nesse contexto, é preciso que diferentes âmbitos – acadêmico, legislativo, judicial e até mesmo cultural – ajam em conjunto, com abordagens variadas, para que possamos evoluir e extrair o melhor que a evolução tecnológica pode proporcionar. Caso contrário, ela não será tão útil como se propõe a ser.

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